terça-feira, 18 de julho de 2017

Ministério do Meio Ambiente abre cursos na área ambiental

Inscrições gratuitas deverão ser feitas até 28 de julho. Formações serão a distância em temas como água, agricultura familiar e clima.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) abrirá, a partir desta segunda-feira (17/07), as inscrições para cursos a distância nas áreas de recursos hídricos, agricultura familiar, mudança do clima, produção e consumo sustentáveis, unidades de conservação, igualdade de gênero e outros temas.

Confira os detalhes de cada curso

Os interessados devem se cadastrar no ambiente virtual do MMA  até o dia 28 de julho e escolher um ou mais cursos, que serão realizados sem tutoria. A efetivação da inscrição está condicionada à oferta de vagas. Até o fim do ano, serão abertas 40 mil vagas, incluindo turmas fechadas, realizadas por instituições parceiras.

Segundo a diretora de Educação Ambiental do MMA, Renata Maranhão, os cursos abordam aspectos essenciais das principais políticas públicas do MMA. “A ideia é que sejam desencadeados processos formativos continuados em todo o território nacional, voltados ao fortalecimento da gestão ambiental e ao enfrentamento das problemáticas socioambientais”, afirma.

O conteúdo produzido é livre, para uso público e pode ser disponibilizado para que instituições parceiras os ofertem em suas próprias plataformas Moodle.

HISTÓRICO

O MMA investe na customização de um ambiente virtual de aprendizagem e na elaboração de cursos de educação a distância. O objetivo é permitir o acesso a conteúdos socioambientais e materiais pedagógicos para utilização online e off-line. Já passaram pela plataforma cerca de 70 mil usuários.

Alguns cursos foram pensados e disponibilizados para recortes específicos de público e outros para ser ofertados de maneira livre, de maneira semipresencial, com apoio de instituições parceiras, a distância, com tutoria contratada ou voluntária e autoexplicativas (sem tutoria).

Os conteúdos disponibilizados se tornam subsídios e aportam ferramentas para o planejamento e a gestão de programas regionais e locais de Educação Ambiental.

Por WALESKA BARBOSA

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): (61) 2028-1227 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O que acontece agora com o iceberg que se deslocou da Antártida

Pra onde ele vai? Poderá elevar o nível dos mares? Oferece algum risco?
Após meses de expectativa, iceberg maior que o Distrito Federal se descola da Antártida




O bloco gigante de gelo tem 6 mil km², uma área maior que a do Distrito Federal. O novo iceberg provavelmente está entre os dez maiores já registrados por um satélite.
Um satélite americano observou o iceberg na quarta-feira enquanto passava por uma região chamada de plataforma de gelo Larsen C, na Antártida.

Os cientistas já esperavam pelo acontecimento, já que eles monitoravam o avanço de uma enorme fenda na plataforma há mais de uma década.
Em maio, os satélites Sentinel-1 da União Europeia haviam registrado uma curva na fenda da Larsen C, indicando uma possível mudança de direção.
Agora que se desprendeu, o enorme bloco deve se afastar gradualmente da plataforma de gelo.
"Isso não deve acontecer rapidamente porque o Mar de Wedell é repleto de gelo, mas tenho certeza de que será mais rápido do que todo o processo de ruptura dos últimos meses. Tudo dependerá das correntes e dos ventos", explica Adrian Luckman, professor da Universidade de Swansea, no Reino Unido.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Segundo cientistas, o descolamento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.

A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta oeste da Antártida.
Os pesquisadores vinham acompanhando a rachadura na Larsen C há muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de rupturas das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo aumentou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.

Aquecimento global
Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, os cientistas permanecem preocupados sobre o impacto do descolamento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B, em 2002, ocorreu de forma muito semelhante.
A expectativa dos cientistas é de que a recém separada plataforma se movimente pouco nos próximos anos.
Mas, novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que, em vez de permanecer na região, rumariam ao oceano. Uma vez que esse gelo derrete, afeta o nível dos mares.
Ainda há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.
Fonte: BBC

Mas, e agora? Pra onde ele vai? Poderá elevar o nível dos mares? Oferece algum risco?
De acordo com os pesquisadores do projeto Midas, da Universidade de Swansea (Reino Unido), que acompanha o iceberg de perto, o bloco de gelo não aumentará o nível do mar imediatamente.
No entanto, se a plataforma continuar perdendo sua área, isso pode resultar na separação de geleiras do continente rumo ao oceano, o que impactaria o nível do mar, ainda que em um índice moderado.

A separação do iceberg da plataforma Larsen C reduziu sua área em 12% e transformou a paisagem da Península Antártica para sempre.
Ainda que a plataforma continue a crescer naturalmente, os pesquisadores haviam previsto antes que a nova configuração é potencialmente menos estável do que aquela antes da fenda - e há o risco de que a Larsen C siga o modelo de sua vizinha, Larsen B, que se desintegrou em 2002 depois de uma fenda parecida.

"O movimento dos icebergs é controlado principalmente pelos ventos presentes na atmosfera e pelas correntes oceânicas que empurram o bloco de gelo que está abaixo da superfície da água", disse à BBC Mundo Anna Hogg, especialista em observações de satélite da Universidade de Leeds, no Reino Unido.
No entanto, isso também será determinado pela simetria do leito marinho.
"As grandes fendas topográficas, como por exemplo as pequenas montanhas no fundo do mar, podem ser suficientemente altas de forma que façam com que o iceberg permaneça no mesmo lugar por um tempo", diz Hogg.
Se nada o detiver e se ele começar a se mover, dará início a uma viagem ao redor do continente antártico, impulsionado pela corrente litorânea que gira em sentido anti-horário durante o ano inteiro.
Se ele chegar à ponta da Península Antártica, "continuará viajando até o norte, na direção da Passagem de Drake, de onde se dissipará", explica a especialista.
Esse processo pode demorar meses ou mesmo anos.
"Como outros volumes de gelo semelhantes, ele levará um bom tempo para derreter, independentemente de estar em águas frias ou mais quentes", diz Hogg.

Existe Perigo?
Os cientistas não sabem exatamente onde ele chegará, mas normalmente os icebergs não costumam chegar a uma zona habitada.

E, à medida que ele se desloca para o norte, irá se dividir em fragmentos menores que podem continuar viagem em diferentes direções e de acordo com as forças que atuam sobre eles.
Quando sair de perto do continente antártico, é importante ficar no seu encalço, já que o iceberg pode se tornar um perigo para os marinheiros.
Agora não há perigo - em meio ao inverno no hemisfério sul - mas haverá durante o verão antártico: mesmo que a península esteja fora das rotas comerciais mais importantes, é o principal destino turístico de cruzeiros provenientes da América do Sul.
Enquanto o iceberg se mantiver como peça única, ou várias peças grandes, ele é menos perigoso, já que podemos vê-lo à distância. Quando se despedaçar, a situação piora, já que é difícil estimar, da superfície, quanto gelo está submerso na água.

Poderá chegar em Geórgia do Sul?
Muitas vezes, pedaços grandes de gelo vão parar na plataforma de gelo superficial que cerca a ilha de Geórgia do Sul, a cerca de 1.390 km a leste-sudeste das ilhas Malvinas/Falklands.
Ao chegar ali, os icebergs liberam bilhões de toneladas de água doce no ambiente marinho local.
Segundo pesquisadores britânicos, esses pedaços gigantes de gelo têm um impacto dramático no local e podem até alterar os ciclos de alimentação dos animais que habitam a ilha.
A esta ilha, por exemplo, chegou o iceberg A-38 em 2004.
"A água doce tem um efeito mensurável na estrutura da coluna da água", disse Mark Brandon, oceanógrafo da Universidade Aberta, no Reino Unido.
"Muda as correntes na plataforma porque muda a densidade da água do mar. E também baixa a temperatura da água".
O pó e os fragmentos de pedra que o iceberg traz da Antártica atuam como nutrientes quando se derretem no oceano e aumentam a produtividade das algas e das diatomáceas na base da cadeia alimentar.

Mas, na Geórgia do Sul, esses pedaços de gelo podem ter um impacto negativo ao atuar como barreira contra o fluxo de krill, uma fonte vital de alimento para muitos animais da ilha, incluindo pinguins, focas e pássaros.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Agrotóxico afeta reprodução e diminui população de abelhas

Espécie de abelha já está ameaçada de extinção nos EUA, veja a situação em outros países

Novos estudos publicados na quinta-feira dia 29 na revista "Science" mostram que os agrotóxicos neonicotinóides prejudicam a reprodução e a vida de abelhas. Nos Estados Unidos, uma espécie do inseto já está ameaçada de extinção. Na Europa e em toda a América do Norte, as operárias estão desaparecendo abruptamente das colmeias.
SAIBA MAIS: Por que desaparecimento das abelhas seria uma catástrofe – e o que você pode fazer para evitar isso
Uma das pesquisas conseguiu resultados em grande escala e reuniu dados de experimentos feitos no Reino Unido, na Alemanha e na Hungria. Os cientistas expuseram três espécies de abelha aos agrotóxicos neonicotinóides.
Na Hungria, o número de colônias do inseto caiu 24% na primavera seguinte. No Reino Unido, a sobrevivência das abelhas foi muito baixa. Curiosamente, o agrotóxico não apresentou efeitos nocivos na Alemanha, no entanto, um menor sucesso reprodutivo, avaliado pelo número de rainhas e na produção de ovos, foi associado a níveis altos de neonicotinóides nos ninhos das abelhas (Bombus terrestris e Osmia Bicornis) nos três países.
Abelha tem dispositivo acoplado para ajudar pesquisadores
"Os neonicotinóides investigados causaram uma redução na capacidade de as três espécies de abelhas estabeleceram novas populações no ano seguinte, principalmente no Reino Unido e na Hungria", disse o autor principal do estudo, Ben Woodcock.
O segundo artigo publicado pela revista "Science" trabalhou na área de cultivo de milho no Canadá. Eles isolaram os impactos dos neonicotinóides de outras práticas agrícolas de alta intensidade.
A pesquisadora Nadejda Tsvetkov, junto com a sua equipe, descobriu que as abelhas expostas ao agrotóxico tinham uma menor expectativa de vida e suas colônias eram mais propensas a perder as rainhas. Eles também observaram que os neonicotinóides podem ser ainda mais potentes quando misturados a um inseticida comum.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pampas bioma brasileiro

O termo pampa é de origem indígena e significa "região plana".

Denominado Pampas, Campanha Gaúcha, Campos Sulinos ou Campos do Sul, o Pampa é o único bioma brasileiro presente somente numa unidade federativa.
Ocupa mais da metade do território do Rio Grande do Sul e parte dos países: Uruguai e Argentina.

Pampas: Características 
O clima do Pampa é subtropical com as quatro estações do ano bem definidas e sua vegetação é marcada pela presença de gramíneas, plantas rasteiras, arbustos e árvores de pequeno porte.
Vegetação do Pampa
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a vegetação do Bioma Pampa pode ser dividida em:
Estepe
➤ Savana Estépica
➤ Floresta Estacional Semidecídua
➤ Floresta Estacional Decidual
➤ Formações Pioneiras
➤ Floresta Estacional
➤ Relevo do Pampa
➤ Além disso, o Bioma Pampa é formado por quatro conjuntos que caracterizam seu relevo:
➤ Planalto da Campanha
➤ Depressão Central
➤ Planalto Sul-Rio-Grandense
➤ Planície Costeira.

Em sua maior parte, destaca-se o relevo de planícies, constituído de grandes áreas de pastagens que se desenvolvem grandes rebanhos.
Assim, a principal atividade econômica do local é a pecuária extensiva com destaque para a criação de bois e ovelhas. Já as principais produções agrícolas da região são: soja , arroz, milho, trigo e uva.

Pampa: Fauna e Flora
A fauna do bioma Pampa é muito rica e diversa, caracterizada por uma grande variedade de aves, mamíferos, artrópodes, répteis e anfíbios.
Exemplos: onça-pintada, jaguatirica, mono-carvoeiro, macaco-prego, guariba, mico-leão-dourado, sagui, preguiça-de-coleira, caxinguelê, tamanduá, jacu, macuco, jacutinga, ema, perdigão, perdiz, quero-quero, tiê-sangue, araponga, sanhaço, caminheiro-de-espora, joão-de-barro, sabiá-do-campo, pica-pau do campo, beija-flor-de-barba-azul, veado-campeiro, graxaim, zorrilho, furão, tatu-mulita, preá, tuco-tucos, sapinho-de-barriga-vermelha, tucanos, saíras, gaturamos, cervo-do-pantanal, caboclinho-de-barriga-verde, picapauzinho-chorão.
Ademais, pesquisas indicam que a flora do Pampa apresenta aproximadamente 3000 espécies de plantas, algumas delas: louro-pardo, cedro, cabreúva, canjerana, guajuvira, guatambu, grápia, campim-forquilha, grama-tapete, flechilhas, canafístula, brabas-de-bode, pau-de-leite, unha-de-gato, bracatinga, cabelos de-porco, angico-vermelho, caroba, babosa-do-campo, amendoim-nativo, trevo-nativo, cactáceas, timbaúva, araucárias, algarrobo, nhandavaí, palmeira anã.

Pampa: Desmatamento
As atividades econômicas desenvolvidas na região do Pampa, ou seja, a agricultura e pecuária, marcadas pela expansão das pastagens e dos campos de cultivo, são os principais responsáveis pelo desmatamento e degradação desse bioma.
O resultado é o desaparecimento de espécies nativas, aumento do processo de arenização do solo, bem como a invasão de espécies que levam ao desiquilíbrio do ecossistema.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA (2010), no ano de 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do bioma Pampa.
Além disso, muitos animais estão em risco de extinção como por exemplo: veado campeiro, cervo-do-pantanal, caboclinho-de-barriga-verde, picapauzinho-chorão, a onça-pintada, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, macaco-prego, guariba, mico-leão-dourado, saguis, preguiça-de-coleira, caxinguelê, tamanduá, gato dos pampas.

A data comemorativa de conservação e conscientização dos Pampas é no dia 17 de Dezembro.

Pampas: Ministério do Meio Ambiente
Fonte Original (Ministério do Meio Ambiente)
O Pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, onde ocupa uma área de 176.496 km² (IBGE, 2004). Isto corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território brasileiro. As paisagens naturais do Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas. O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, etc.

Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos, o Pampa apresenta flora e fauna próprias e grande biodiversidade, ainda não completamente descrita pela ciência. Estimativas indicam valores em torno de 3000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas, são mais de 450 espécies (campim-forquilha, grama-tapete, flechilhas, brabas-de-bode, cabelos de-porco, dentre outras). Nas áreas de campo natural, também se destacam as espécies de compostas e de leguminosas (150 espécies) como a babosa-do-campo, o amendoim-nativo e o trevo-nativo. Nas áreas de afloramentos rochosos podem ser encontradas muitas espécies de cactáceas. Entre as várias espécies vegetais típicas do Pampa vale destacar o Algarrobo (Prosopis algorobilla) e o Nhandavaí (Acacia farnesiana) arbusto cujos remanescentes podem ser encontrados apenas no Parque Estadual do Espinilho, no município de Barra do Quaraí.

A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves, dentre elas a ema (Rhea americana), o perdigão (Rynchotus rufescens), a perdiz (Nothura maculosa), o quer-quero (Vanellus chilensis), o caminheiro-de-espora (Anthus correndera), o joão-de-barro (Furnarius rufus), o sabiá-do-campo (Mimus saturninus) e o pica-pau do campo (Colaptes campestres). Também ocorrem mais de 100 espécies de mamíferos terrestres, incluindo o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), o graxaim (Pseudalopex gymnocercus), o zorrilho (Conepatus chinga), o furão (Galictis cuja), o tatu-mulita (Dasypus hybridus), o preá (Cavia aperea) e várias espécies de tuco-tucos (Ctenomys sp). O Pampa abriga um ecossistema muito rico, com muitas espécies endêmicas tais como: Tuco-tuco (Ctenomys flamarioni), o beija-flor-de-barba-azul (Heliomaster furcifer); o sapinho-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus atroluteus) e algumas ameaçadas de extinção tais como: o veado campeiro (Ozotocerus bezoarticus), o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), o caboclinho-de-barriga-verde (Sporophila hypoxantha) e o picapauzinho-chorão (Picoides mixtus) (Brasil, 2003).

Trata-se de um patrimônio natural, genético e cultural de importância nacional e global. Também é no Pampa que fica a maior parte do aquífero Guarani.

Desde a colonização ibérica, a pecuária extensiva sobre os campos nativos tem sido a principal atividade econômica da região. Além de proporcionar resultados econômicos importantes, tem permitido a conservação dos campos e ensejado o desenvolvimento de uma cultura mestiça singular, de caráter transnacional representada pela figura do gaúcho.

A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do Pampa. Estimativas de perda de hábitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do bioma Pampa (CSR/IBAMA, 2010).

A perda de biodiversidade compromete o potencial de desenvolvimento sustentável da região, seja perda de espécies de valor forrageiro, alimentar, ornamental e medicinal, seja pelo comprometimento dos serviços ambientais proporcionados pela vegetação campestre, como o controle da erosão do solo e o sequestro de carbono que atenua as mudanças climáticas, por exemplo.

Em relação às áreas naturais protegidas no Brasil o Pampa é o bioma que menor tem representatividade no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), representando apenas 0,4% da área continental brasileira protegida por unidades de conservação. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário, em suas metas para 2020, prevê a proteção de pelo menos 17% de áreas terrestres representativas da heterogeneidade de cada bioma.

As “Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”, atualizadas em 2007, resultaram na identificação de 105 áreas do bioma Pampa, destas, 41 (um total de 34.292 km2) foram consideradas de importância biológica extremamente alta.

Estes números contrastam com apenas 3,3% de proteção em unidades de conservação (2,4% de uso sustentável e 0,9% de proteção integral), com grande lacuna de representação das principais fisionomias de vegetação nativa e de espécies ameaçadas de extinção da fauna e da flora. A criação de unidades de conservação, a recuperação de áreas degradadas e a criação de mosaicos e corredores ecológicos foram identificadas como as ações prioritárias para a conservação, juntamente com a fiscalização e educação ambiental.

O fomento às atividades econômicas de uso sustentável é outro elemento essencial para assegurar a conservação do Pampa. A diversificação da produção rural a valorização da pecuária com manejo do campo nativo, juntamente com o planejamento regional, o zoneamento ecológico-econômico e o respeito aos limites ecossistêmicos são o caminho para assegurar a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento econômico e social.

O Pampa é uma das áreas de campos temperados mais importantes do planeta.

Cerca de 25% da superfície terrestre abrange regiões cuja fisionomia se caracteriza pela cobertura vegetal como predomínio dos campos – no entanto, estes ecossistemas estão entre os menos protegidos em todo o planeta.

Na América do Sul, os campos e pampas se estendem por uma área de aproximadamente 750 mil km2, compartilhada por Brasil, Uruguai e Argentina.

 No Brasil, o bioma Pampa está restrito ao Rio Grande do Sul, onde ocupa 178.243 km2 – o que corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território nacional.

O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. Em sua paisagem predominam os campos, entremeados por capões de mata, matas ciliares e banhados.

A estrutura da vegetação dos campos – se comparada à das florestas e das savanas – é mais simples e menos exuberante, mas não menos relevante do ponto de vista da biodiversidade e dos serviços ambientais. Ao contrário: os campos têm uma importante contribuição no sequestro de carbono e no controle da erosão, além de serem fonte de variabilidade genética para diversas espécies que estão na base de nossa cadeia alimentar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Primeiros geradores de energia eólica do estado de São Paulo

Aerogeradores estão instalados na área da usina de Porto Primavera


Em comemoração à semana do meio ambiente, o Governo de São Paulo iniciou, em 9 de junho, a fase de testes dos dois primeiros geradores de energia eólica do Estado instalados na área da usina Engenheiro Sérgio Motta, também conhecida como Porto Primavera, localizada no município de Rosana, na região de Presidente Prudente.

Os geradores eólicos fazem parte de um amplo projeto de pesquisa e desenvolvimento dentro do programa de pesquisa e desenvolvimento da Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica, e visam estudar a complementaridade energética das fontes solar, eólica e hidráulica.
Cada aerogerador tem capacidade para gerar 100 quilowatts (kW). As torres, que possuem 30 metros de altura e pás de 10 metros de comprimento, os geradores eólicos produzirão cerca de 620 megawatts-hora (MWh) por ano, essa energia elétrica será utilizada no consumo interno da Usina Porto Primavera. A fase de testes elétricos e mecânicos devem durar aproximadamente 20 dias

“A implantação de centrais fotovoltaicas e eólicas junto a usinas hidrelétricas existentes apresenta vantagens devido ao espaço físico e infraestrutura de transmissão no local, o que pode propiciar uma redução significativa no custo da energia gerada”, explica o subsecretário de Energias Renováveis, Antonio Celso de Abreu Junior. Nesse conjunto o reservatório da usina hidrelétrica é utilizado para estabilizar a produção das centrais solar e eólica.

Atlas Eólico do Estado de São Paulo

O Estado de São Paulo tem um potencial de aproximadamente 13 mil GWh, tendo um fator de capacidade médio de 31,3%.

Os valores foram calculados a uma altura de 100 metros, considerando restrições pertinentes e velocidades de vento acima de 6,5 metros por segundo, ocupando uma área de 1.134 Km². Se forem consideradas todas as áreas com velocidades acima de 6 metros por segundo, esse potencial de geração subiria para cerca de 72 mil GWh, com fator de capacidade médio de 26,6%.

Acesse o Atlas Eólico do Estado de São Paulo que está disponível no site da Secretaria de Energia e Mineração no endereço www.energia.sp.gov.br.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Maceió tem ruas e praias tomadas pelo lixo após chuvas

Uma amostra da lei do retorno, jogue lixo e receba lixo.


A humanidade vive hoje o que começou ontem, isso é assim com todas as escolhas da vida. E claro que isso não seria diferente com o lixo, ontem a humanidade jogava lixo nas ruas, rios, praias e hoje precisa recolher todo esse lixo. Mas será que a humanidade vai aprender? ou viverá neste ciclo?
Quando você separa o lixo reciclável você foge desse ciclo, mas isso não é o suficiente, faça da sua escolha uma educação contínua.

Agora é a vez de Maceió AL

A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Slum) recolheu mais de mil toneladas de lixo na última semana em Maceió. Apenas no Riacho Salgadinho, mais de 250 toneladas de lixo foram recolhidas durante este período de fortes chuvas.
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) divulgou nesta segunda uma nota informando que as viagens foram interrompidas para retirada de entulhos que atingiram os trilhos durante o período chuvoso no estado.
Os trilhos que foram mais prejudicados estão localizados em Goiabeira, Sururu de Capote e ABC, em Fernão Velho.


Equipes que trabalham com a limpeza em Maceió intensificaram os trabalhos para garantir a normalidade nos pontos mais críticos da cidade.

Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Slum informou que o diretor de operações do órgão já se dirigiu ao local da antiga favela do Jaraguá para solucionar os problemas. A secretaria ainda afirmou que as equipes continuam trabalhando para que a situação do acúmulo de lixo seja normalizada em toda a cidade.
Segundo o secretário do órgão, Davi Maia, a população também precisa ajudar e tentar reciclar o máximo de resíduos possível.
“Muitos desses materiais poderiam ter sido reciclados, como garrafas PET e outros. Outros itens de descarte volumoso, a Slum pode ir buscar na casa do cidadão de forma gratuita, como TVs velhas. Ou seja, precisamos contar com a população. Esse material não precisa parar nos riachos e córregos”, explicou Maia.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Espuma do Rio Tietê invade ruas de Salto, imagens são impressionantes

Invasão da espuma é "tradição poluição" na cidade


A maior demonstração do despejo de esgoto sem tratamento está invadindo, mais uma vez, a cidade de Salto SP. Infelizmente já virou tradição, toda cheia do rio provocada pelo grande volume de chuvas na região trás esse espetáculo de horror.
O especialista em gestão ambiental e morador da cidade, João de Conti Neto, registrou na manhã desta terça-feira (6) a rua 24 de outubro tomada pela espuma. As imagens são do arquivo de João Conti.
A formação de espumas, que ocorre frequentemente no Rio Tietê ao longo das cidades de Santana de Parnaíba, Salto e Pirapora do Bom Jesus, está relacionada à baixa vazão da água e presença de esgoto doméstico não tratado, o que dificulta a decomposição de detergentes domésticos.
A solução, segundo o especialista, seria a implantação de sistemas adequados de esgotamento sanitário, incluindo a coleta, afastamento, tratamento e disposição final dos esgotos domésticos.

A Prefeitura de Salto organiza frequentemente mutirões de limpeza na cidade. Na semana passada, por exemplo, mais de 30 toneladas de lixo foram retiradas da água em apenas um dia de trabalho.

Recuperação do Tietê é cobrada
Devido aos contantes prejuízos causados pela poluição no rio, a rede de águas da Fundação SOS Mata Atlântica e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Tietê querem cobrar do Comitê do Alto Tietê, onde ficam os municípios da Região Metropolitana de São Paulo, uma compensação pela poluição no interior.
A ideia é ficar com, no mínimo, 10% dos R$ 40 milhões que a agência da Bacia do Alto Tietê arrecada por ano com a cobrança pelo uso da água. Assim, seria possível garantir R$ 4 milhões de reais por ano para ações de recuperação no rio Tietê, algumas emergenciais, como a contenção da sujeira.