terça-feira, 9 de janeiro de 2018

As zonas mortas dos oceanos estão cada vez maiores, entenda.

Grande parte dos animais que chegam a essas regiões morrem por falta de oxigênio


A presença de zonas mortas nos oceanos, pouco conhecidas, têm consequências graves para os ecossistemas aquáticos.
De acordo com um estudo publicado recentemente na revista Science, o tamanho das áreas sem oxigênio nas águas abertas do oceano quadruplicou desde meados do século 20. E as zonas com muito pouco oxigênio perto das costas se multiplicaram por 10.

Isso, dizem os autores do primeiro estudo que analisa com profundidade a falta de oxigênio nos oceanos, pode causar a extinção em massa de espécies no longo prazo, colocando em risco a vida de milhões de pessoas que dependem do mar como fonte de alimentação e trabalho.
"Os maiores eventos de extinção na história da Terra foram associados a climas quentes e a deficiência de oxigênio nos oceanos", disse Denise Breitburg, cientista do Centro de Investigação Ambiental Smithsonian, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo.
"Na atual trajetória, é para isso que estamos seguindo. Mas as consequências para os seres humanos de continuar por esse caminho são tão extremas que é difícil imaginar que chegaremos tão longe indo nessa direção."

As zonas mortas são grandes extensões de água que contêm pouco ou nenhum oxigênio.

Elas são chamadas de "mortas" porque há poucos organismos que conseguem sobreviver ali - a maioria dos animais que acabam nessas manchas se sufocam e morrem.
Enquanto as zonas de baixo oxigênio ocorrem naturalmente no oceano (geralmente a oeste dos continentes, devido ao efeito da rotação da Terra nas correntes oceânicas), o problema é a proporção em que se expandiram desde 1950.
Os baixos níveis de oxigênio fazem com que os animais cresçam menos, além de ter mais problemas reprodutivos e doenças.

Mas como ocorre a expansão das zonas mortas?
As mudanças climáticas, produto da atividade humana, são o principal responsável, especialmente nas águas abertas.
Como as águas quentes têm menos oxigênio, à medida que a água da superfície se aquece o oxigênio tem mais dificuldade em atingir as profundezas do oceano.
Outro efeito é que, quando a água é mais quente, os animais precisam respirar mais rápido - isso faz com que usem mais oxigênio em menos tempo.
Nas águas costeiras, o principal problema são as substâncias que são utilizadas na agricultura e chegam no oceano.
Elementos como o fósforo, presente em fertilizantes e adubos para plantas, são levados para os rios. Ao chegar no mar, provocam o crescimento excessivo de algas que, quando morrem e se decompõem, absorvem enormes quantidades de oxigênio.

O que pode ser feito?
Como se os efeitos acima mencionados ainda não fossem suficientes, a falta de oxigênio também pode fazer o oceano liberar substâncias químicas perigosas, como o óxido de nitrogênio, um gás com efeito de estufa 300 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono.
Mas os especialistas avaliam tratar-se de um problema que tem uma solução.
"Parar a mudança climática exige um esforço global, mas mesmo as ações locais podem ajudar a diminuir o oxigênio produzido pelo excesso de nutrientes", disse Breitburg.
Além de implantar medidas para reduzir o aquecimento global, os cientistas recomendam medidas como criar áreas marinhas protegidas, áreas que os animais usam para escapar de baixos níveis de oxigênio nas quais a pesca seria proibida.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Comportamento de peixes é bioindicador para risco ambiental

Substâncias tóxicas jogadas em rios, lagos e mares geram estresse no habitat dos peixes


O descarte indiscriminado de substâncias tóxicas em rios, lagos e mares é uma fonte de estresse para os organismos aquáticos. Nestas condições, os peixes naturalmente migram para áreas menos afetadas pelos poluentes. Segundo o pesquisador e biólogo Daniel Clemente, que defendeu tese sobre o assunto no Instituto de Biociências da USP, este fenômeno afeta o equilíbrio ecossistêmico e pode gerar uma redução da população de peixes, causando uma possível extinção local de alguns organismos, explica.

Uma pesquisa feita na USP estuda comportamento de peixes para avaliar risco ambiental e detecção de poluente aquáticos. A nova abordagem é considerada inovadora e contesta, inclusive, concentrações consideradas seguras de poluentes das Agências Ambientais, que têm a função de controlar e monitorar regularmente os níveis de poluentes no corpo hídrico.

Para observar a migração dos peixes, o biólogo utilizou um sistema formado por várias câmaras de vidro, onde foram colocados os peixes juntamente com diferentes gradações de poluentes, sendo que em algumas com concentrações abaixo das permitidas pelas agências ambientais. Embora os peixes tenham ficados expostos aos poluentes por até quatro horas, logo nos primeiros minutos, eles já começaram a migrar para as câmaras que tinham menos poluentes. (Veja a Pesquisa)



Nova abordagem permitiu contestar concentrações de poluentes consideradas seguras pelas agências ambientais

Sobre o bisfenol, o estudo detectou que mesmo estando abaixo das concentrações consideradas seguras pelas agências ambientais, de um micrograma por litro de água, a substância causou grande impacto no ambiente e na população aquática, fazendo com que os peixes migrassem para áreas com menores concentrações do composto.
Os métodos utilizados pelas agências ambientais não consideram concentrações que causam distúrbios ao ambiente aquático. Levam em conta apenas concentrações que causam efeitos tóxicos aos organismos aquáticos e aos humanos.Desta forma, Clemente acredita que o método de análise de fuga de peixes expostos em ambientes poluídos contribui para um melhor entendimento dos riscos ambientais causados pelos poluentes em corpos hídricos, conclui. (Leia na íntegra no Jornal da USP)

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Conter aquecimento global a 1,5°C é desafio sem precedentes

Mais de 25% da Terra ficará mais seca mesmo se aquecimento global for limitado a 2ºC

Com o aquecimento de 2ºC, que pode ser atingido entre 2052 e 2070, entre 24% e 32% da superfície terrestre total se tornará mais seca.
Mais de um quarto da superfície terrestre da Terra se tornará "significativamente" mais seca mesmo se a humanidade conseguir limitar o aquecimento global a 2ºC, o objetivo estabelecido no Acordo de Paris, disseram cientistas nesta segunda-feira, primeiro dia do ano de 2018.
Mas a contenção do aquecimento médio a 1,5ºC, a meta mais baixa inscrita como ideal no Acordo de Paris sobre o clima, esta porção diminui para entre 8% e 10%, concluíram os pesquisadores em um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change.

A 1,5ºC, partes do sul da Europa, sul África, América Central, Austrália costeira e Sudeste Asiático - áreas que abrigam mais de um quinto da humanidade - "evitariam aridificações significativas" previstas para o cenário de 2ºC, afirmou o coautor do estudo Su-Jong Jeong, da Southern University of Science and Technology em Shenzhen, China.
"Conquistar 1,5º C seria uma ação significativa para reduzir a probabilidade de aridificação e impactos relacionados", disse à AFP.
Su-Jong Jeong e uma equipe usaram projeções de vários modelos climáticos, sob diferentes cenários de aquecimento, para prever padrões de seca terrestre.
A aridificação é uma ameaça importante, acelerando a degradação da terra e a desertificação, e a perda de plantas e árvores cruciais para a absorção do gás do efeito estufa dióxido de carbono.
Também intensifica as secas e incêndios florestais, e afeta a qualidade da água para cultivar e beber.

Vice-presidente de painel do clima da ONU fala sobre política para o clima.

O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática), o grupo de 3.000 cientistas que a ONU criou para avaliar o problema do aquecimento global, deverá entregar em 2018 um relatório especial. Ainda não se sabe o conteúdo desse documento, porém, terá a mensagem otimista que todos querem ouvir.
A afirmação foi feita pela brasileira Thelma Krug, pesquisadora do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e vice-presidente do IPCC. A pesquisadora é também a nova diretora de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente. Veja acima entrevista em vídeo com a cientista.

A missão do novo trabalho do painel será dizer se é possível conter o aquecimento global a um acréscimo de no máximo 1,5°C na temperatura do planeta. Esse é um dos objetivos sugeridos pelo Acordo de Paris, firmado no ano passado.

Para Thelma, porém essa será uma missão difícil. (Veja a entrevista no G1 da Globo)

“O esforço de mitigação que precisa ser feito é muito grande”, disse Thelma ao G1. “Mesmo para 2°C já vai ser difícil, porque se fala em cenários de redução muito grande, principalmente das emissões [de combustíveis] fósseis. ”
Para conter o aquecimento do planeta a um acréscimo de 2°C, o IPCC estima que será necessária uma redução de 40% a 70% das emissões entre 2040 e 2070.
“Se você estiver falando em 1,5°C você está falando de 90% de redução, num espaço de tempo mais curto, então você já olha para isso, vendo que vai ser um desafio dos maiores que a humanidade já teria passado. ”

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Eixo da Terra cria as estações do ano por ser inclinado

Se o eixo de rotação fosse igual ao de translação não haveria estações do ano


As estações do ano, outono, inverno, primavera e verão existem durante o ano porque o eixo da Terra ao girar em redor de si (rotação) é diferente do eixo do giro do planeta ao redor do Sol (translação). Assim, o hemisfério norte recebe mais sol durante metade do ano e o sul na outra metade (veja infográfico). E os pólos passam seis meses praticamente às escuras e os outros seis na maior claridade. (CLIQUE PARA VER A ANIMAÇÃO)

Se o eixo de rotação fosse igual ao de translação, os dois hemisférios receberiam a mesma quantidade de sol durante todo o ano e as estações deixariam de existir. “Os pólos também passariam a ter um regime normal de dia e noite”, diz o geofísico Igor Pacca, da Universidade de São Paulo. Segundo os geofísicos, não há nenhuma indicação de que isso possa acontecer. Mas esse eixo, apesar de manter uma certa inclinação em relação ao eixo de translação, muda de lugar, mais ou menos como um pião que gira. Hoje, por exemplo, olhando-se a Terra de frente, ele está inclinado para a direita. Com isso, o hemisfério norte recebe mais calor entre abril e setembro e o sul entre outubro e março.

Além do eixo, outro fator importante é o formato da órbita terrestre em relação ao Sol. A geóloga Lorraine Lisiecki da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, descobriu um padrão que associa as mudanças regulares do ciclo orbital da Terra com as alterações no clima da Terra, analisando dos últimos 1,2 milhão de anos.

Sabe- se que a órbita da Terra em torno do Sol muda de formato a cada 100.000 anos. A órbita em volta do Sol se torna mais ou menos elíptica nestes intervalos. O formato de uma órbita é estabelecido pela sua excentricidade. Outro importante aspecto relacionado é o ciclo de 41.000 anos da inclinação do eixo da Terra, o ciclo de Milankovitch.

As eras glaciais na Terra, também ocorrem ciclicamente, a cada 100.000 anos. Lisiecki sugere que o calendário das mudanças no clima e o histórico das mudanças em sua excentricidade têm sido coincidentes. “A clara correlação entre o momento de mudança na órbita e as mudanças no clima da Terra é uma forte evidência de uma ligação entre os dois”, disse Lisiecki. “É improvável que esses eventos não estejam relacionados entre si.”

Além de encontrar uma estreita ligação entre a mudança no formato da órbita e o início da glaciação, Lisiecki encontrou uma correlação surpreendente. Ela descobriu que os ciclos glaciais de maior duração ocorreram durante o período de menores mudanças na excentricidade da órbita da Terra e vice-versa.

Por outro lado ela constatou que as mudanças mais fortes na órbita da Terra se correlacionavam com as mudanças mais fracas no clima. “Isso pode significar que o clima da Terra tem uma instabilidade interna, além da sensibilidade às mudanças na órbita”, disse Lisiecki.

Lisiecki realizou sua análise climática examinando sedimentos do oceano. Os núcleos analisados vieram de 57 localidades ao redor do mundo [Lisiecki & Raymo, 2005]. Através da análise de sedimentos, os cientistas podem traçar o passado do clima da Terra, há milhões de anos. Agora, a contribuição de Lisiecki foi estabelecer o vínculo entre o registro do clima com a história da órbita terrestre.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Energia limpa pode mudar o mundo até 2050

Pelo menos 139 países poderiam ser totalmente abastecidos por eletricidade gerada por fontes eólica, solar e aquática até 2050.


Esta é a conclusão, não exatamente de um estudo ou de um levantamento, mas de um roteiro para a efetivação de um futuro 100% baseado em energia renovável. Uma primeira etapa prevê alcançar 80% de energia renovável em 2030, e a segunda prevê alcançar 100% em 2050.
O roteiro descreve as mudanças de infraestrutura que os 139 países devem fazer para se tornarem totalmente alimentados pelo que hoje são consideradas fontes alternativas de energia.
As análises examinaram os setores de eletricidade, transporte, aquecimento e refrigeração, industriais e de agricultura/silvicultura/pesca de cada país.
Os 139 países - selecionados porque são países para os quais os dados estão publicamente disponíveis por meio da Agência Internacional de Energia - emitem em conjunto mais de 99% de todo o dióxido de carbono de origem humana do planeta.
"Os formuladores de políticas geralmente não querem comprometer-se a fazer algo a menos que haja alguma ciência razoável que possa mostrar que é possível, e é isso que estamos tentando fazer. Existem outros cenários. Não estamos dizendo que há apenas uma maneira de fazer isso, mas ter um cenário dá orientação às pessoas," disse o professor Mark Jacobson, da Universidade de Stanford, coordenador do trabalho. "Tanto os indivíduos como os governos podem liderar essa mudança."

Potencial eólico global é calculado em termos realistas

Economia baseada em energia limpa
A transição para uma economia baseada em energia limpa pode significar um aumento líquido de mais de 24 milhões de empregos no longo prazo, uma diminuição anual de 4 a 7 milhões de mortes por poluição atmosférica por ano, a estabilização dos preços da energia e uma poupança anual de mais de US$ 20 trilhões em custos de saúde e ações de adaptação às mudanças climáticas.

Para cada uma das 139 nações, a equipe de 26 especialistas avaliou os recursos de energia renovável disponíveis, o número de geradores de energia eólica que poderiam ser instalados, a disponibilidade de fontes de água (rios e mares), a incidência de energia solar e a área em terrenos e telhados necessária para a instalação dos painéis solares.
"O que é diferente entre este estudo e outros que propuseram soluções é que estamos tentando examinar não só os benefícios climáticos da redução de carbono, mas também os benefícios de poluição do ar, benefícios de trabalho e benefícios de custo," disse Mark Jacobson.



Vento, água e sol superam biocombustíveis, energia nuclear e carvão

Benefícios de um mundo com energia limpa
Como resultado da transição para a energia limpa, o roteiro prevê uma série de benefícios diretos.
Por exemplo, ao eliminar o uso de petróleo, gás e urânio, a energia associada à mineração, transporte e refinação destes combustíveis também é eliminada, reduzindo a demanda internacional de energia em cerca de 13%. Como a eletricidade é mais eficiente do que a queima de combustíveis fósseis, a demanda deve diminuir 23%.
As mudanças na infraestrutura também significariam que os países não precisariam depender uns dos outros para combustíveis fósseis, reduzindo a frequência dos conflitos internacionais por questões de energia.
"Além de eliminar as emissões e evitar o aquecimento global de 1,5º C e começar o processo de deixar o dióxido de carbono ser drenado da atmosfera terrestre, a transição elimina de 4 a 7 milhões de mortes por poluição atmosférica a cada ano e cria mais de 24 milhões de empregos de tempo integral no longo prazo," disse Mark Jacobson.

Fonte: Site Inovação Tecnológica

Bibliografia:
100% Clean and Renewable Wind, Water, and Sunlight All-Sector Energy Roadmaps for 139 Countries of the World
Mark Z. Jacobson, Mark A. Delucchi, Zack A.F. Bauer, Savannah C. Goodman, William E. Chapman, Mary A. Cameron, Cedric Bozonnat, Liat Chobadi, Hailey A. Clonts, Peter Enevoldsen, Jenny R. Erwin, Simone N. Fobi, Owen K. Goldstrom, Eleanor M. Hennessy, Jingyi Liu, Jonathan Lo, Clayton B. Meyer, Sean B. Morris, Kevin R. Moy, Patrick L. O'Neill, Ivalin Petkov, Stephanie Redfern, Robin Schucker, Michael A. Sontag, Jingfan Wang, Eric Weiner, Alexander S. Yachanin
Joule
DOI: 10.1016/j.joule.2017.07.005

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Qual é a maior profundidade do oceano e qual o ponto mais alto da Terra?

VOCÊ SABIA? O Monte Everest, na Cordilheira do Himalaia, tem 8 848 metros de altura. Ele precisaria ser 2 652 metros mais alto para caber dentro da fossa das Ilhas Marianas, na Micronésia, tem 11 500 metros de profundidade. Assim, para ir do ponto mais alto ao mais profundo do planeta seria preciso percorrer 20 348 metros.

Fossa das Ilhas Marianas comparada com o Monte Everest
O ponto mais fundo do oceano é a fossa das Ilhas Marianas, localizada no Oceano Pacífico, cerca de 2 500 quilômetros a leste das Filipinas. É uma espécie de vale submarino e está, na sua parte mais profunda, 11 500 metros abaixo da superfície do mar – o que equivale a sete vezes o tamanho do Grand Canyon, nos Estados Unidos. Já o recorde de profundidade em mergulho foi obtido por Jacques Piccard, oceanógrafo suíço, e Donald Walsh, tenente da Marinha americana. “Ambos comandaram o submersível Triest I, que desceu 35 800 pés (cerca de 11 000 metros) – a maior profundidade oceânica registrada -, no dia 23 de janeiro de 1960, em uma das fossas das Marianas chamada Challenger Deep, a cerca de 360 quilômetros ao sul das Ilhas Guam, no Oceano Pacífico”, diz o oceanógrafo e físico Afrânio Rubens de Mesquita, da USP. O submersível é um pequeno submarino, muito mais resistente à pressão.

Ponto mais alto ou montanha mais alta?

Everest
O Monte Everest é uma montanha onde se encontra o ponto mais alto do mundo, com 8.848 metros de altura em relação ao nível do mar. Porém, ele não é a maior montanha do planeta quando tomada a distância do seu topo em relação ao centro da Terra, título que pertence ao Monte Chimborazo, localizado no Equador.

Chimborazo
A medição faz-se tendo em conta o nível do mar e o Evereste conta com 8.848 metros de altitude, apesar da última medição, realizada por cientistas do Institut de Recherche pour le Développement, em França, lhe ter retirado 4,5 metros.

Mas se medirmos as montanhas do sopé até ao pico, então a mais alta do mundo é Mauna Kea, um vulcão no Hawai que, contando com a parte que está debaixo do mar, eleva-se por 10 mil metros, refere o The Independent, jornal britânico.

Mauna kea
Por outro lado, o pico mais próximo do Espaço situa-se no Equador. O Chimborazo tem 6.268 metros de altitude, mas como a Terra não é uma esfera perfeita, mas achatada nos polos, as montanhas que se situam na linha do Equador aproximam-se mais da estratosfera e, neste aspeto, quem ganha é o Chimborazo.


domingo, 12 de novembro de 2017

Artigo 225 - Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado

Título VIII    
Da Ordem Social

Capítulo VI    
Do Meio Ambiente

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

    § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

        I -  preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

        II -  preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;

        III -  definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

        IV -  exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

        V -  controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;

        VI -  promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

        VII -  proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

    § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.

    § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

    § 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

    § 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

    § 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.

Além de um capítulo específico para o meio ambiente, a atual Constituição ampliou os mecanismos para a defesa da natureza, conferindo a qualquer cidadão o direito de propor ação popular para proteger o meio ambiente, o patrimônio histórico etc. Ampliou a autonomia do Ministério Público na defesa de questões socioambientais. Muitos textos legais anteriores à Constituição de 1988 foram recepcionados por ela, entre eles a Lei 6.938/1981 e a Lei 7.347 de 24/07/1985, o que conferiu maior eficácia à proteção do meio ambiente e a outros direitos difusos mediante ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artísticos, estéticos, históricos e paisagísticos. Foi estabelecida uma distribuição melhor da competência para legislar sobre matéria ambiental entre os entes da federação brasileira. Outras inovações importantes são as seguintes: estabeleceu o respeito ao meio ambiente e o aproveitamento racional dos recursos como um dos requisitos para caracterizar a função social da propriedade rural; incluiu os sítios ecológicos como elementos do patrimônio cultural e estabeleceu disposições em defesa de grupos vulneráveis, como povos indígenas, garimpeiros, crianças, idosos e deficientes físicos.